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2 de jan. de 2010

À sua Segurança

Você está escalando. Sua corda e seu baudrier são seguros, a ancoragem é à prova de bomba e você se sente seguro. A idéia de uma queda não te preocupa. Porém, toda queda cria uma enorme quantidade de energia. Nós somos criaturas relativamente grandes e a gravidade é uma forçaconsiderável e qualquer pessoa que já tenha segurado uma queda pode confirmar. A força de impacto de uma queda é transmitida através de todo seu sistema de segurança, chegando a atingir o dobro no ponto de ancoragem. Assim, todos os elementos envolvidos no sistema devem sustentar o impacto sem falhar. Muitos escaladores não entendem realmente o conceito de fator de queda, apesar de ser bastante simples.

O fator de queda é a distância da queda dividida pelo comprimento da corda desde o ponto fixo até o escalador que cai. O equipamento está projetado para suportar o fator de queda 2, que é o máximo atingido numa típica queda, onde a distância da uma queda é o dobro do comprimento de corda utilizado. Normalmente um fator de queda 2 pode ocorrer apenas quando o líder da cordada não se utiliza de pontos de proteção e, ao cair, passa do ponto onde está recebendo segurança. A partir do momento que uma proteção é feita, a distância da queda, em função do comprimento da corda, é reduzida e o fator de queda cai abaixo de 2.

O fator de queda é apenas um dos elementos que governam a força de impacto, que ainda é composto pela natureza da corda e o peso do objeto que cai. Então, um dos fatores que pode contribuir na redução da força de impacto é a elasticidade das cordas dinâmicas.

Os sistemas de segurança para escaladas são desenhados ao redor da qualidade de absorção de impacto das cordas dinâmicas, que amortece a queda e reduz a força de impacto e a chance de falha do sistema. A corda dinâmica é desenhada para limitar a força do peso de um escalador (80kg) no pior caso de queda (fator de queda 2) para não mais que 12kN (1200kg). Quanto mais corda utilizada, mais elasticidade para absorver a queda. Por isso uma queda de 4 metros em fator 2 desenvolve aproximadamente a mesma força de impacto que em uma queda de 20 metros, ou seja aproximadamente 9kN (900kg), desde que a corda dinâmica obedeça os padrões da U.I.A.A.. Assim, o aumento da queda e da força de impacto desenvolvida com ela é compensado pelo comprimento de corda disponível que a amortecerá.

As cordas estáticas, tradicionalmente mais usadas em espeleologia e resgates e agora também em rapéis esportivos e mesmo em academias de escalada, são desenhadas minimizar a elasticidade, por isso sua capacidade de absorver impacto é mínima, mas pode ser sentida com mais comprimento de corda. As cordas estáticas não são bem definidas pelos códigos da indústria, como as cordas dinâmicas são, variando em elasticidade de acordo com o fabricante e o país de origem. Quanto menos elasticidade a corda apresentar, maior a força de impacto no conjunto de segurança e também a pessoa presa em sua extremidade. Em uma escalada, uma queda extremamente pequena pode desenvolver força suficiente para ser crítica.

Uma pequena queda de 1,2 metros num cordelete ou numa corda estática, desenvolve 18kN, mais do que suficiente para quebrar o baudrier ou o escalador. Usados para segurança, sem uma corda dinâmica, cordeletes são tão perigosos como cordas estáticas. Uma queda em fator 2 desenvolve força de impacto suficiente para haver risco de falha do cordelete, baudrier e mosquetões, sem mencionar os grandes danos ao esqueleto do escalador. O corpo humano suporta até 12 KN por um curto espaço de tempo sem sérios riscos traumáticos. Aqui vão alguns dos limites de segurança estabelecidos pela U.I.A.A.:

· Ancoragem (pontos de proteção) - 25kN (2500kg)

· Mosquetões - 20kN (2000kg)

· Fitas - 22kN (2200kg)

· Baudrier - 15kN (1500kg)

Numa queda, muita coisa trabalha contra o escalador, e a física é uma delas. No ponto onde a corda retorna, normalmente em um mosquetão, a força da queda é aumentada em aproximadamente 66%, e poderia ser dobrada se não fosse o atrito da corda com o metal. Digamos que máxima força de impacto de 9kN em uma corda dinâmica, a força no mosquetão chega em torno de 15kN. É que a ancoragem seja mesmo a prova de bombas. Caso a matemática fosse aplicada em uma corda estática, o fator de queda 1,9 com sua força de impacto normal de 18kN, torna-se uma força de impacto de 30kN (multiplica-se 18kN por 1,66). Neste caso algum ponto do sistema de segurança falharia.

Sistemas de segurança

Corda

Cadeirinha

Mosquetão

Acessórios

6 de jun. de 2009

Escalando em Yosemite


Escalar no Yosemite está para os escaladores, como o Ironman do Hawaii para os triatletas. Para os brasileiros não é diferente. Boa parte dos escaladores de rocha brasileiros sonha algum dia escalar em Yosemite, o famoso parque nacional americano, aquele paraíso que você, com certeza já ouviu falar e vale uma viagem até a Califórnia.
Yosemite é a meca da escalada em rocha, e tem milhares de vias em todos os estilos, incluindo muitas vias clássicas de escalada livre e as big walls mais famosas do mundo. Paredes de rocha com mais de 1000 metros de altura, como a face frontal do El Captain, Half Dome, entre vales incríveis e dezenas de cachoeiras, lagos, trilhas e atrações.
O parque tem duas áreas principais de escalada: Yosemite Valley e Tuolumne Meadows. Em Yosemite Valley, a temporada de escalada vai de Maio a Novembro. Em Tuolumne Meadows, de Junho a Outubro. Julho e Agosto são meses em que o parque fica lotado por causa das férias escolares. Na Primavera, as cachoeiras funcionam a plena potência, alimentadas pelo derretimento da neve. No Outono, várias delas secam. Em Novembro, começa a nevar no parque (o nome Sierra Nevada não foi dado por acaso). Durante o Inverno, a Tioga Road fica interditada e as trilhas só podem ser percorridas com esquis de travessia. Em geral, a previsão do tempo fica afixada nas guarderias e entradas de acampamentos, o que facilita o planejamento das escaladas.
O esquema mais comum é ir de avião até San Francisco e, lá, alugar um carro para ir a Yosemite (umas 5 horas de viagem). Em 1996, gastamos, cada um, US$ 950 com a passagem aérea de São Paulo a Los Angeles (até San Francisco é um pouco mais caro). O aluguel do carro, um Ford Escort, ficou em US$ 750 por quatro semanas, incluindo seguro e impostos (esse valor pode ser dividido em várias pessoas).
Compre um guia rodoviário Rand McNeally, à venda em farmácias, supermercados, livrarias e lojas de equipamento. Vai ser muito útil para achar o caminho nas estradas. Há dois postos de gasolina dentro do parque, um na Tioga Road, perto de Crane Flat, e outro em Yosemite Village. Para saber o preço da entrada no parque (parece que aumentou desde que estivemos lá), consute o site Yosemite Park Information.
As opções de hospedagem em Yosemite vão desde simples cabanas de lona, em Curry Village, até um hotel bastante luxuoso, o Ahwahnee. No entanto, todos esses lugares exigem reserva com muita antecedência. A maioria dos escaladores prefere mesmo acampar no parque. É proibido acampar fora das áreas oficiais de acampamento, que ficam lotadas no verão. As reservas devem ser feitas com antecedência, por meio da empresa Destinet. Paga-se uns US$ 10 - US$ 15 por dia, por área (para até 6 pessoas em duas barracas). Os acampamentos são ótimos - confortáveis, limpos e agradáveis. O único que não aceita reservas é o Sunnyside (Campo 4, para os íntimos). Nele, quem chegar primeiro (de manhã, bem cedo) pega o lugar. Lá, cobra-se por pessoa (US$ 3), e não por área.
O Campo 4 foge um pouco ao padrão dos demais acampamentos. Ele é menos arborizado, mais cheio de gente e, lá, não se pode entrar com o carro. Em compensação, quase todo mundo que acampa lá é montanhista e, é o lugar certo para ficar se você estiver sozinho, em busca de companhia para escalar. Quando estive no parque, não havia lugar em Yosemite Valley. Há um limite de permanência de, no máximo, uma semana em cada acampamento. Os acampamentos de Yosemite Valley permanecem abertos durante todo o ano, mas aqueles localizados em altitudes maiores só funcionam no verão. Em Tuolumne Meadows, quase tudo fecha em Setembro ou, no máximo, no início de Outubro. Portanto, se você pretende escalar lá, planeje com cuidado as datas.
Se você planeja fazer alguma caminhada ou escalada com mais de um dia de duração, vai precisar de uma licença para acampamento selvagem (wilderness permit), que pode ser conseguida no próprio parque ou reservada com antecedência. Para obter mais informações sobre os acampamentos e permits, visite o site do National Park Service.
Em qualquer lugar da Sierra Nevada, tenha muito cuidado com os ursos. Para saber mais sobre isso, leia Encontro com Zé Colméia.
Se você pretende ficar bastante tempo acampado, vale a pena ter alguns luxos como um lampião a benzina, uma barraca espaçosa e um colchonete bem confortável. Aliás, a benzina nos Estados Unidos é baratíssima e pode ser comprada em qualquer loja de material para camping ou nos mercadinhos dos parques.
A comida pode ser comprada em supermercados, em alguma cidade, antes de entrar no parque. Lá dentro, há alguns mercadinhos, mas os preços são mais altos e não há muita variedade. Em lojas de material de montanhismo, é possível encontrar excelente comida de expedição, leve e muito saborosa. Quando você estiver com preguiça de cozinhar, pode recorrer aos vários restaurantes e lanchonetes que existem no parque.
Leve material adequado ao tipo de via que você pretende escalar.
Se você estiver escalando numa única cordada de dois, é melhor usar segurança com corda dupla (duas cordas de 50 m de comprimento por 8,5 ou 9 mm de diâmetro), já que praticamente todos os rapéis em Yosemite exigem duas cordas.
Para as escaladas em bigwall, a lista de equipamento varia muito dependendo da via.

5 de jun. de 2009

Sistema de Graduação

Na escalada, se usamos expressões do tipo, "fácil", "moderada" ou "difícil", ficaria um tanto vaga, um tanto imprecisa. Para que haja um parâmetro e evolução do próprio esporte, como classificaríamos uma escalada que não é nem moderada, nem difícil? Para ter maior precisão cada via passou a receber um grau, que é dado por comparação com outras vias. Assim foram criados os sistemas. Os mais conhecidos são o francês e o americano.

O sistema brasileiro é constituído, em geral, por três partes, ou seja, para classificarmos uma escalada usamos três codificações, como por exemplo: 5° VIsup A1.

A primeira é o grau geral da via, que está presente na maior parte da escalada e leva em conta também o tamanho da via, a distância entre os grampos e outros fatores. Vai do 3° grau (fácil) até o 12° grau (extremamente difícil). Neste exemplo citado, temos uma via de quinto grau.

A segunda parte define o grau do lance chave da via, também conhecido como "crux". Pode aparecer também a abreviação 'sup' (de superior) ou uma letra. Até o sexto grau é utilizado um 'sup' para definir que este lance tem uma dificuldade superior ao grau citado porém ainda inferior ao seguinte. A partir do sétimo, para aumentar a precisão, são utilizadas as letras minúsculas 'a', 'b' e 'c'. No exemplo a via é de quinto grau com lance de sexto sup.

A terceira parte expressa a dificuldade de passagens artificiais da via, que só aparecerão se existirem; grau que varia de A0 até A5 e leva em consideração as proteções, o tipo de rocha, a inclinação da parede e, principalmente, o potencial de queda. Essa classificação é utilizada em todo o Brasil, porém se voce for escalar em outros países, existe uma tabela de equivalência, conforme segue:

A graduação de via é normalmente dada por escaladores experientes, que fecham a via "on-sight", ou seja, guiando em livre, sem conhecimento prévio da via, para que possam dar um parâmetro em comparação com outras vias, já escaladas de graduação semelhante. Além disso, deve-se levar em consideração o estilo de escalada, técnica, rocha, entre outros. Existem vias que podem sofrer alteração de graduação, com perda de algumas agarras que se soltam, podendo subir, ou abaixar seu grau.
Uma das vantagens do sistema brasileiro é a menção do grau geral e do crux da via em separado, ao contrário do que acontece em sistemas como o americano e o francês, que tomam como grau de uma escalada apenas o grau do seu lance mais difícil.
O sistema aqui proposto procura manter esta e outras qualidades deste sistema e ao mesmo tempo acrescentar algumas inovações que o tornem mais atual e eficiente.
Para medir o grau de exposição utilizamos a letra "E", que vai de E1 a E5, que mede o grau de proteção da via; uma via E1 é bem protegida, a exemplo de vias na falésia do anhangava e E5, vias altamente perigosas, como algumas em Salinas - RJ. O fator de exposição é opcional no grau da via, pode-se colocar como omitir. Normalmente, em passadas fáceis, diminui-se as proteções, que se concentram em lances chaves.
Outro grau medido é o de duração da escalada, representado pela letra "D", de 1 a 7, sendo D1, vias de poucas horas a 7, que abrangem expedições dom vários dias de escalada.
Por padrão, utiliza-se em vias de falésias ou esportivas curtas, somente o grau geral da via, e nos boulders, a classificação é feita pela letra "V", sendo o V0 (V-zero) o boulder mais fácil, equivalendo a um sexto sup e V-15 o mais difícil.
Os clubes e escaladores tentam ao máximo uma padronização desta modalidade de graduação, que em termos técnicos, atende as necessidades dos escaladores.

11 de mai. de 2009

Meio ambiente e Ética

Apesar da escalada ser um esporte que não é regida por regras formais, existe ética para respeitarmos os conquistadores, os escaladores e o meio ambiente e, é necessário seguirmos um conjunto de princípios, que vêm sendo definidos ao longo de gerações, fundamentados na ética ambiental e no respeito mútuo entre os escaladores. A ética ambiental é definida a partir de atitudes ou utilização de técnicas que ajudam a reduzir ao máximo o impacto da passagem do escalador pela montanha.
O respeito entre escaladores, por sua vez, é baseado principalmente no respeito às vias conquistadas, que não devem ser alteradas, e compreendidas como um patrimônio de todos os escaladores, atuais e futuros. devendo dese modo ser preservados os diferentes estilos e concepções de conquista, que fazem da escalada em rocha um esporte tão rico, único e especial.
Com pequenas ressalvas, que variam de clubes de montanha para outros, basicamente a ética no montanhismo é:

1 - Resolva os lances naturais oferecidos pela pedra, não coloque ou cave agarras na rocha. Deixe para criar lances e vias artificiais em muros de escalada indoor.
2 - Não acrescente ou retire grampos em vias de escaladas sem a autorização expressa dos conquistadores. Se uma via foi conquistada bem protegida, com grampeação longa ou com proteções móveis, devemos respeitar estes estilos. É válido lembrar que o escalador deve se preparar para as escaladas que deseja realizar, ao invés de rebaixar a escalada ao seu nível. Se você achar realmente necessárias alterações, converse antes com os conquistadores da via.
3 - Respeite as fendas com possibilidade de proteção usando equipamentos móveis, perfurando a rocha apenas quando realmente necessário;
4 - Respeite a vez de um escalador que tenha chegado primeiro à via de escalada, ultrapassando-o somente se ele assim o permitir;
5 - Escolha a forma de descida que seja menos impactante ao ambiente;
6 - Informe-se de antemão sobre a ética local dos lugares que for visitar, e respeite-a;
7 - Não promova e nem participe de escaladas com um grande número de pessoas. Estas excursões causam grande impacto nas trilhas e vias. Aprecie o aspecto reflexivo e contemplativo do esporte, o que só é possível longe de multidões.
8 - Ajude a manter trilhas e montanhas limpas. Leve sempre o seu lixo de volta.
9 - Preserve a vegetação das paredes rochosas. Não moleste aves e outros animais silvestres que eventualmente encontre durante a escalada. Evite áreas de nidificação de aves nas épocas de reprodução.
10 - Já existem acessos a todas as vias de escaladas. Não abra novas trilhas, nem crie atalhos modificando seus traçados originais.
11 - Um dos grandes problemas que vivemos hoje em dia é a ameaça de bloqueio ou restrição de acesso às áreas de escalada, seja pela urbanização, favelização, grilagem, propriedades privadas ou até por determinações de órgãos públicos. Há fatores que contribuem ainda mais para esta situação se complicar, como a descompostura de escaladores, acidentes, conflitos com proprietários ou mesmo entre escaladores, impacto ambiental e falta de informação dos órgãos públicos. Portanto, é importante preservar os acessos usando de cortesia com os proprietários e a população local, mantendo um bom relacionamento com os órgãos públicos e denunciando atos criminosos contra o meio ambiente, como captura de animais selvagens, uso de armadilhas, caça ilegal, coleta de plantas, incêndios criminosos e desmatamento.
12 - A prestação de socorro ou auxílio está sempre acima das prioridades de uma excursão. A omissão de socorro, é crime previsto no código penal. O auxílio pode ser dado através dos primeiros socorros, quando houver domínio do assunto, ou então pedindo-se ajuda às autoridades públicas, como os bombeiros, por exemplo, cujo telefone é 193;
13 - Sempre pratique e divulgue as técnicas de mínimo impacto.

10 de mai. de 2009

Dean Potter - Slack line

Provavelmente de origem circense, slack line, hight wire ou corda bamba possuem a mesma função: testar por completo seu equilíbrio físico e concentração, que ganhou grande aceitação pelos escaladores, sempre atrás de novos desafios.
Foi pensando nisso, que Dean Potter, criou um novo estilo de brincadeira, juntando o slack ao base jump. Voce pode assistir na íntegra esta façanha no filme: The Sharp End, da Sender Films.
A sua única proteção nesse slack é o paraquedas.
Ele ainda foi além, escalou uma via de difícil acesso em free solo (video abaixo), com mais de 200 metros, também protegido pelo seu paraquedas.

7 de mai. de 2009

A escalada

A escalada é um esporte facinante que da liberdade ao praticante, quebrando barreiras e paradigmas, e, que além de tudo, proporciona prazer e diversão, trabalha os sentidos, força física e principalmente a condição psicológica. Medo, incertezas e riscos estão presentes em cada escalada para serem superados.
Qualquer pessoa que pretenda iniciar-se no esporte de escalada tem a obrigação de procurar informar-se a respeito dos riscos nele envolvidos, assim como dos procedimentos de segurança que torna a prática aceitável dentro do padrão do esporte.
A forma mais eficiente para se inteirar dessas informações é sem dúvida passar por um curso de formação. Hoje através do desenvolvimento do esporte e turismo de aventura, começa-se a regularizar muitas atividades. Porém ainda em estágio de sugestões, por isso nem sempre é fácil verificar a competência das instituições e instrutores. Para garantir a qualidade e responsabilidade dos cursos de escalada, procure as federações, associações e clubes de montanhismo.
A escalada em rocha é considerada esporte de risco e a sua prática deve seguir rigorosamente as normas de segurança que regem a atividade. Isso significa não apenas a correta utilização de equipamentos (equipamentos estes adequados a pratica esportiva em questão), mas também com o emprego das técnicas e sistemas de segurança (procedimentos) igualmente adequados, como o ambiente onde se pratica os esportes de escalada representa risco iminente ao homem. Qualquer tipo de negligência ou abuso é uma estupidez que pode acarretar em acidentes que podem ter como conseqüência severos ferimentos ou mesmo a morte.
Nenhuma pessoa deve se guiar por livro, manual, apostila ou qualquer tipo de publicação juntamente com um punhado de equipamentos e rumar para uma montanha ou mesmo para um campo-escola a fim de aplicar conhecimentos adquiridos dessa forma. Não seja irresponsável. A literatura de montanha e artigos especializados, ainda que sirva de base, fonte de informação, consulta e revisões, não dispensam a presença de um instrutor responsável e devidamente qualificado para esta atividade.Seja consciente!

30 de abr. de 2009

Outdoor life

Yosemite é, além de um dos pólos de escalada mais completos do mundo, o ponto máximo da escalada clássica, e El Capitan, uma gigantesca parede de granito. ergue-se quase 1.200 metros acima do vale, uma montanha cinzenta e maciça como um navio de guerra, de onde se enxergam minúsculos escaladores pendurados em sua encosta, que de longe, parecem imóveis, como se todo seu esforço sumisse ao ser admirado à distância.

No ponto mais duro de uma das rotas mais cascas-grossas do mítico El Cap, a 825 metros de altura, Steph Davis está se puxando rocha acima, com os pés meio congelados, quando seu pé direito escorrega e ela cai dez metros. Sua corda estala ao se estender, evitando uma fatalidade e deixando-a balançando no vazio. Ela grita para Cybele Blood, recrutada para fazer sua segurança, para dizer que não está ferida. Só irritada. "Ótimo", ela resmunga para si, sabendo que só há uma coisa a fazer: continuar subindo.

Steph está no oitavo dia de sua tentativa de se tornar a primeira mulher a fazer a escalada livre do paredão Salathé, uma rota na face sudoeste do El Cap - e, segundo seus cálculos, ela já devia ter terminado. Mas, desde o começo, nada tinha saído de acordo com o planejado.

Pra começar, o tempo. Alternando entre quente de matar e gelado com vento, era o tipo de condição climática que pode ficar feia bem depressa - como aconteceu quase um ano antes, quando uma tempestade de neve assolou o El Cap, prendendo dois escaladores japoneses que morreram congelados antes que o resgate os alcançasse. Steph não está equipada para um tempo assim. Ela está usando tênis leves e shorts de escalada, uma primeira camada de roupa longa e uma jaqueta fina. Seu único equipamento é um saco de dormir leve, uma cafeteira portátil e pouca comida.

O maior problema de Steph, no entanto, é a possibilidade de talvez não ser capaz de encarar o último e punk trecho do Salathé, conhecido como paredão Enduro. É um mau sinal, já que a principal vantagem dessa super escaladora não é tanto o talento atlético ou a técnica impecável, mas a força de vontade e o estilo de trabalho metódico e cerebral. Essa mulher de 33 anos treinou sozinha o verão todo para essa empreitada. Mas liderar uma ascensão de nível 5.13 - que é mais ou menos como subir feito uma aranha pela lateral de um arranha-céu, com agarras para se segurar do tamanho de uma lentilha - é outra história, e Steph tem caído. Bastante.

Diferentemente de uma escalada tradicional, em que não há problema em se apoiar em cordas enquanto se sobe um paredão, na escalada livre é preciso usar somente as mãos e os pés para galgar as rachaduras e falhas naturais da rocha. O equipamento de proteção só está lá para segurar o atleta em caso de queda, assim como a pessoa responsável por sua segurança. Cair é, no mínimo, inconveniente. Toda vez que se cai de um paredão, é preciso voltar ao início do estágio e começar tudo de novo.

Steph tem estado empacada nessa parte o dia todo. A luz do dia está acabando e ela está fadada a passar a noite em uma saliência de granito não muito mais larga que uma prancha de surf. Detalhe: com um precipício de 825 metros logo a seu lado. Um pensamento passa por sua cabeça: Por que não desistir de uma vez dessa roubada e descer?

STEPH DAVIS DEU DURO A VIDA TODA EM BUSCA DE SEU SONHO: VENCER ALGUNS DOS PAREDÕES MAIS DIFÍCEIS DO PLANETA. PARA ISSO, ABANDONOU A FACULDADE, ENFRENTOU A FAMÍLIA, TREINOU FEITO DOIDA, LUTOU CONTRA OS PRÓPRIOS MEDOS. A RECOMPENSA? VER O MUNDO DE CIMA DAS MONTANHAS MAIS FASCINANTES DA TERRA

27 de abr. de 2009

Pushing limits

Chris Sharma, 24 anos, que encadernou, em 2001, a via mais difícil do mundo, 5.15 de escalada (equivalente a um 12A na graduação brasileira), acaba de resolver outro quebra-cabeça do boulder ao cruzar o teto de uma caverna em Ozarks, no Arkansas, Estados Unidos. Enquanto na escalada vertical os atletas precisam de toda resistência para puxar-se para cima em rochas de até 100 metros de altura, os adeptos do boulder usam explosões de força dignas de Hércules para lidar com agarras minúsculas e difíceis, ao longo de pequenos trechos de rocha.

Para desvendar o "Witness The Fitness" - "Testemunhe a força", como foi batizada a rota -, Sharma se pendurou no teto, paralelo ao chão, segurando-se com três dedos em fendas rasas e com o dedão em uma protuberância do tamanho de um amendoim. O teto, com 12 metros de extensão, é de arenito, repleto de fungos e cogumelos, e considerado uma das linhas de escalada mais difíceis do mundo. "Foi uma das coisas mais impressionantes que já vi", conta Josh Lowell, da Big Up Productions, que filmou o feito no dia 13 de março.

Sharma recusa-se a dar uma graduação para sua conquista - ele nunca dá -, mas diz que foi a mais difícil que ele já fez, o que sugere um V15 - o novo limite para o boulder.

18 de abr. de 2009

Complexo Marumbi

Em plena Floresta Atlântica, o complexo do Marumbi, possui um acesso fácil, podendo ser alcançado de ônibus até Curitiba, e descendo até o Marumbi de trem, curtindo o visual da serra do Mar. O trem parte da estação Rodoferroviária. De carro, poderá seguir pela famosa estrada da Graciosa. Para quem curte um bom trekking aliado a paisagens belas tem um prato cheio próximo ao litoral paranaense.
Oito grandes montes se destacam que podem sr alcançados or algumas trilhas que levam ao cume. A trilha branca te leva direto ao Olimpo, e a partir dali a todas as outras. A trilha é pesada, sempre íngreme, as vezes muito fechada. Por várias vezes você é obrigado a se segurar nos troncos e raízes que cercam a trilha; sem contar as "escadinhas" de aço presas na rocha (vias ferratas), muitas vezes deixando você exposto à mata lá embaixo.
Em compensação, durante todo o trecho, encontram-se riachos, nascentes, enfim, água: pura, gelada, cristalina. Dica: logo nos primeiros minutos de trilha, você cruza com dois rios geladinhos. Não se reprima, tome um banho gostoso, encha seu cantil e experimente beber água corrente.
Se você alcançar o alto do monte Olimpo, poderá contemplar Curitiba e todo o litoral paranaense, Morretes, Antonina e Paranaguá, através do mirante. De lá existem outras trilhas para os outros pontos do Parque, com graus de dificuldade variados, mas todos são bem íngremes e é preciso um bom preparo físico para enfrentá-los.
Para aproveitar melhor a viagem, pode-se completá-la indo a Morretes, uma cidade histórica cerca de 30 minutos de distância do Marumbi. Lá pode-se contemplar a beleza arquitetônica da cidade, fazer um bóia-cross no rio Nhundiaquara e provar o prato típico da cidade: o Barreado, servido por todos os restaurantes locais.
Existem várias vias no Conjunto, a prática da escalada porém, fica restrita aos curtos períodos de estiagem. Além das chuvas freqüentes, os ventos são muito violentos e dificultam muito a ascensão. Outro fator negativo é que para se chegar ao pé da parede, é preciso caminhar cerca de uma hora e meia. Algumas das paredes de lá são o Parque do Lineu (parede do abrolhos), o Paredão Preto, a Terra de Marlboro e outros. A graduação das vias é de 6o. em diante e algumas são feitas em artificial.
A título de curiosidade, abaixo vai a cadeia de picos do Complexo Marumbi:
1. Olimpo - 1.547 metros;
2. Boa Vista - 1.539 metros;
3. Gigante - 1.487 metros;
4. Esfinge - 1.378 metros;
5. Ponta do Tigre - 1.300 metros;
6. Torre dos Sinos - 1.280 metros;
7. Abrolhos - 1.200 metros;
8. Falcãozinho - 1.100 metros;

11 de abr. de 2009

Escalada Esportiva no Brasil

O começo da escalada esportiva no Brasil foi uma evolução natural, devido às novas tendências da época, no final da década de 70, e se desenvolvendo pelos anos 80, conforme acontecia na Europa e posteriormente nos EUA. Um conceito que ajudou muito o estabelecimento da escalada esportiva por aqui foi a MEPA (máxima eliminação de ponto de apoio), introduzida por alguns escaladores em 1979/80. Entre eles: André Ilha, Alexandre Portela, Dário dos Santos, Geovani Tartari, Sérgio Bruno, Sérgio Poyares e Sérgio Tartari. Com este novo desafio fazíamos as escaladas tradicionais tentando eliminar todos os pontos de apoio. Eram comuns escaladas com graduação média fácil e com trechos difíceis onde os grampos muito próximos permitiam escalar em artificial A0, o que era comum no Brasil e em outros países. Esse era o desafio na época, eliminar o A0 e os escaladores que mais se destacaram foram: André Ilha, Marcelo Braga, Sérgio Poyares e Sérgio Tartari.
Muitas escaladas com graduação de 4/VI tinham os seus lances fortes feitos em A0, onde teoricamente não existia ainda o sétimo grau devido à limitação do sistema de classificação da época. Isto é, existiam lances de sétimo grau mas eles não eram oficialmente reconhecidos. O material também não ajudava porque não existiam calçados como os de hoje, usávamos Conga, Kichute e botas rígidas (para uso em gelo). Também não se conhecia o uso do magnésio para escalar e as “cadeirinhas” geralmente eram maiores e cobriam até os ombros, dificultando os movimentos. Enfim, o material que existia não era o adequado e era muito difícil conseguir os melhores da época que eram importados, mesmo para quem tinha dinheiro.
As escaladas que tinham lances em pequenos trechos negativos, conhecidos como “barriguinhas”, eram as mais temidas e muitas vezes, quando um escalador era convidado para ir a uma escalada nova ele indagava - Tem barriguinha? Se tiver eu não vou! - Vale salientar que as vias novas conquistadas eram entregues aos clubes e tinham inauguração. Escolhido o dia, várias cordadas iam escalar, formando, às vezes, enormes filas que subiam sob Sol quente. Isso era uma tradição devido ao reduzido número de escaladas na época.
Na época existiam pouquíssimos escaladores e todos se conheciam, ao ponto de uma cordada escalando o ‘Lagartão’ pudesse ser reconhecida de longe, porque eram poucos os que tinham condições de subir tal dificuldade técnica.
Depois da maioria das “barriguinhas” das vias clássicas terem sido feitas em livre, resolveu-se então abrir vias com negativos maiores, para aumentar o desafio. Aí entram os ‘Ácidos’ no Morro da Babilônia. Alguns escaladores consideram que o ‘Ácido Lático’ (7a) foi a primeira via esportiva de importância do Brasil, devido à extensão dos lances em declividade negativa. Porém, ela foi conquistada de baixo para cima e todos os lances foram conquistados em livre, após várias tentativas de André Ilha, Marcelo Braga e Marcelo Ramos. De fato, este foi realmente um marco que ajudou muito o estabelecimento da escalada esportiva.
Apesar de ser pequena, que servia como campo escola aos que queriam aprender escalada em A0, a Pedra do Urubu, situada na base do Pão de Açúcar, teve papel relevante, em 1984, o Marcelo Braga fazia tudo em livre com corda de cima, calçando Conga. Muito tempo depois os grampos originais (parafusos de 15 cm) foram removidos e a via foi regrampeada para ser guiada em livre e também foram abertas outras vias. O ‘Urubu Mestre’ (8c) era o grande desafio e teve sua origem também numa via de artificial A0, com dezenas de grampos de meia polegada. Em 1987, Wolfgang Gullich abriu o ‘Southern Confort‘ (10a) e mostrou a distância que separava os escaladores europeus dos brasileiros na época, porque o grau mais difícil escalado por nós, teoricamente, era 8c. Somente seis anos depois a via foi repetida pelo Luiz Carlos Bitencourt (Pita), mas em top hope. A pedra do Urubu, quem diria, se tornou o ponto de reuniões dos primeiros escaladores esportistas ou “falesistas”. Todos se encontravam lá e o Paulo Bastos (Macaco) era o que melhor escalava no local e era também o melhor escalador de boulder do Brasil, tendo sido o primeiro a fazer os dois blocos mais difíceis da época, o ‘Olhos de Fogo’ no Grajaú e o ‘Expressão Corporal’, na Praia Vermelha. Dessa forma, as escaladas esportivas eram praticadas ou na Pedra do Urubu ou nos Ácidos.
Em 1986, o Marcelo Ramos abriu no Morro do São João (Copacabana), o primeiro 8c brasileiro, batizado de ‘Andrômeda’ e teve também significado especial por ter sido a via mais difícil da época (feita em livre). É importante frisar a participação fundamental do Ramos na história da escalada esportiva no Brasil. Além de muitas outras vias conquistada por ele, também foi o inaugurador do ‘Campo Escola 2000’. A primeira via aberta, em 1987, foi a ‘Pedrita’ (8a), mas a conquista foi de forma curiosa porque ele subiu numa árvore fina e colocou dois grampos que serviam de top rope, porque não havia a certeza de que era possível escalar naquela parede, tão negativa. E para fazer a escalada tínhamos que subir pela árvore para colocar a corda. Só depois de muito tempo a via foi totalmente grampeada para ser feita guiando.
A origem do nome Campo Escola 2000 veio de um grupo de pessoas de um clube de excursionismo que caminhava pelo lugar no início dos anos oitenta. Eles pensaram que era impossível escalar naquela parede, talvez só no ano 2000, cerca de vinte anos depois. Na época, a prática de bouldering era restrita aos campo escolas, que eram lugares onde as pessoas aprendiam a escalar ou treinavam, como no Campo Escola do Grajaú, no C.E Pedra Rachada (Cascadura), no C.E. de Itacoatiara (Niterói) etc. Daí o nome, que era uma alusão a um futuro campo escola para o ano 2000.
Depois do Pedrita, o Ramos novamente inovou, porque viu uma linha muito boa por onde poderia passar uma bela escalada, mas o início e o fim eram impossíveis para a época. E já que as pessoas faziam vias artificiais com grampos, ele resolveu colocar algumas agarras de resina. Sabendo do falatório que isso daria, ele batizou de “Estória Sem Fim”. Aos poucos a via foi perdendo as agarras artificiais porque os lances foram sendo feitos sem elas, primeiro pelo Alexandre Portela e muitos anos depois pelo Helmut Becker e, ainda hoje é uma das vias mais difíceis do Brasil (10a). Ironicamente, muitos escaladores foram contra a idéia da remoção das agarras e para resolver o problema, foi feita uma votação entre os escaladores e prevaleceu a boa ética, o Helmut tirou todas as agarras artificiais restantes.
Ao longo do tempo, o Campo Escola 2000 recebeu várias vias novas se tornando a maior referência de vias esportivas no Brasil, se igualando em importância aos Ácidos, que infelizmente caiu no esquecimento por culpa de uma tentativa de reflorestamento mal sucedida, feito na base e por escaladores.
Por volta de 1985, os paranaenses abriram as primeiras vias esportivas no sul, mas não puderam ir muito longe por causa da falta de afloramentos rochosos adequados. O único conhecido era o Anhangava, que foi tão importante para os colegas do Paraná quanto os Ácidos foram para os cariocas. Outro lugar de importância histórica é a Ilha do Mel, por causa da via ‘Porcos com Asa’. Na época existia até uma rivalidade (amistosa), entre os escaladores do Paraná e do Rio de Janeiro, que era realçada durante os primeiros campeonatos realizados no Brasil: Sul Americano de 1989 e 1990, realizados em Curitiba, e os Brasileiros realizados no topo do Pão de Açúcar, de 1990 a 1992. Mas tudo acabava em festa mesmo porque todos se conheciam e havia um respeito mútuo. Nomes como Ronaldo Franzen (Nativo), André Lima, Júlio, Chiquinho, Dálio e Bito, entre outros, não podem ser esquecidos porque foram os precursores da escalada esportiva no Paraná. Ao longo dos anos 90 a evolução do esporte no Estado foi um pouco lenta, mas atualmente o número de escaladores de alto nível no Estado pode ser comparado aos dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
A participação de brasileiros em campeonatos internacionais não é recente, em 87, um grupo de cariocas e paranaenses foi disputar uma competição em Córdoba, Argentina, vencido pelo Marcelo Braga. Na época as competições eram na rocha, inclusive na Europa. Em 89, teve início as primeiras competições em rocha no Brasil, primeiro foi em Vila Velha (PR) e em 93 foi no Rio de Janeiro, na falésia da Lagoa. A maioria das vias eportivas que existem na Lagoa foram ‘fabricadas’ para o evento, com buracos abertos artificialmente para servirem como agarras. Triste exemplo dado pelos franceses e seguido à risca por alguns cariocas que queriam se promover.
Já com o estabelecimento definitivo do estilo escalada esportiva, restava procurar outras áreas onde a rocha daria as condições favoráveis para a abertura de vias e as mais apreciadas são as paredes negativas e com boas agarras. Novas vias foram abertas no início da década de noventa no Morro da Formiga (Petrópolis), no Vale do Bonfim (Petrópolis), em Itacoatiara (Niterói), na falésia da Praia do Pepino, etc. Além do Paraná, foram abertas vias em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, de onde tem surgido atualmente alguns dos melhores escaladores esportivos do país. No final dos anos noventa, o Morro da Pedreira situado na Serra do Cipó se tornou o maior centro de vias esportivas do país, considerando a concentração de vias numa mesma área. O início foi em 1986, quando o André Ilha, a Lúcia Duarte e o André Jack abriram as primeiras vias. Até o final da década de 80 íamos para lá para conquistar vias com material de proteção móvel, abrimos muitas, mais de 100. O André Ilha e o Antônio Magalhães, que abriram a maioria, queriam manter o lugar como um centro de escalada ‘pura’, tradicional. Mas não foi isso que aconteceu. A primeira via esportiva foi o ‘Movimentos Eróticos’ (VIIa), aberta em 1989, mas foi conquistada com material móvel por Antônio Paulo Faria e Lilian White.
Hoje este estilo vem sendo denominado, por alguns, como escalada esportiva tradicional. Depois vieram as vias totalmente grampeadas.
Ao longo dos anos 90 alastrou-se a ‘febre da escalada esportiva’ em vários pontos do país. A escalada tradicional foi quase que colocada de lado, muitas vias caíram no esquecimento e foram poucas as escaladas conquistadas, se comparado ao número de vias esportivas abertas no mesmo período. Era o tempo onde os escaladores andavam com calças de lycra coloridas e apertadas. Quanto mais colorida melhor e algumas eram rosa choque.
Muitos escaladores que tinham uma visão mais global e escalavam de tudo, estavam apreensivos por medo da escalada tradicional desaparecer, o que felizmente não aconteceu. São Paulo se desracou no cenário por causa de alguns bons centros de escalada, principalmente na área da Pedra do Baú, entre outras. É inegável o papel dos muros de escalada em São Paulo na preparação dos escaladores paulistas, onde foram ‘moldados’ alguns dos melhores escaladores do estado e do país, já que não existem ‘falésias’ por perto. Na segunda metade da década de 90, vários novos centros de escalada esportiva foram abertos em vários Estados, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Brasília.
O centro mais recente e que merece destaque é a Barrinha, situado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Aberto no ano 2000, já é referência nacional pela qualidade e quantidade de vias de altíssimo nível. O local conta atualmente com duas vias de IXb, cinco vias entre Xa e Xb, uma de XIa e outras com graus menores. É inquestionável o aumento anual quase que geométrico do número de ‘falesistas’ no Brasil. Nós sabemos o que aconteceu no passado, mas qual será o futuro da escalada esportiva no Brasil? No resto do país continuará a se repetir os mesmos erros que a massificação está causando nas falésias mineiras da Lapinha e do Bauzinho? Como ficam as questões éticas e ambientais? Como resolver o problema da desinformação dos escaladores? Quais serão as novas tendências? Como ficará a ‘briga’ entre escalada esportiva e escalada tradicional esportiva?

Publicado na revista Fator2 números 13 e 14. Antônio Paulo Faria

4 de abr. de 2009

Destaques no cenário da escalada

A revista Climbing, em parceria com a Black Diamond, todo ano oferece um prêmio chamado de “Golden Piton Awards” que homenageia os grandes feitos da escalada naquele ano, conheça aqui os eleitos:
ESPORTIVA
Chris Sharma ganhou novamente esta homenagem, após realizar a primeira ascensão da JUMBO LOVE (5.15b), uma via esportiva com mais de 70 metros de extensão num anfiteatro de calcário na remota Clark Mountain, na região leste da Califórnia, após 3 anos de treinamentos específicos, utilizando apenas 14 proteções ao longo da via, se arriscando em quedas gigantescas. Seu treinamento para realizá-la foram longas sessões de resistência em vias de 5.14+ e 5.15- na Espanha, alem é claro de diversas entradas na própria Jumbo Love.
A via começa com aproximadamente 20 metros de um 5.12d, seguido por um negativo muito forte de 35 metros a 45 graus, graduado em 5.14c. Após essa paulada chega-se ao crux bolderístico que dá o grau da via, seguido pelos metros finais de um “facílimo” 5.13+!
Sharma é conhecido por não graduar suas primeiras ascensões e mesmo quando o faz, dificilmente especula por graus mais difíceis. Porém, Sharma passou este último ano na Espanha, e após escalar praticamente todas as linhas mais difíceis do mundo sente-se muito bem referenciado para sugerir o grau de 5.15b, inédito até então.

TRADICIONAL – Beth Roden

Quem imaginaria que aquela menininha de 13 anos despontando nos campeonatos indoor realizaria hoje aos 28, um feito como este. A via Meltdown no parque de Yosemite na Califórnia é uma fenda de 5.14 tão estreita que mal se entala a primeira falange dos dedos.
Roden trabalhou a via por 40 dias entre setembro de 2007 e fevereiro de 2008, lutando contra terríveis tempestades de neve, uma lesão na mão e a terrível dúvida se aquilo seria possível. No entanto sua determinação e paciência do marido e segurador (belayslave) Tommy Caldwell, foram determinantes para que Roden encadenasse a via guiando e sacando as proteções, muitas delas grudadas com silvertape à cadeirinha para que fossem sacadas mais rápidas.
Muito provavelmente é a enfiada de escalada tradicional mais difícil da América do Norte e obviamente permanece sem repetições!

BIG WALL – Tomy Caldwell
Tommy Caldwell iniciou sua jornada nos boulderes e vias esportivas, mas rapidamente identificou-se com as escaladas mais comprometedoras como os Big Walls. Nestes últimos anos Caldwell já “livrou” mais de 12 das principais vias no El Capitan em Yosemite, como a famosa The Nose e Freerider.
Desta vez veio a MAGIC MUSHROOM (5.14a) considerada a via de maior dificuldade constante na parede do El Cap. Caldwell tinha realizado a primeira ascensão em livre apenas 1 mês antes da investida. Desta vez em uma só tacada, e em pouco mais de 20 horas, entre os dias 7 e 8 de junho.

SOLO – Alex Honnold
Gravem bem este nome, pois esse moleque de 23 anos acaba de estabelecer um novo patamar na escalada solo. Honnold já havia solado vias como Astroman 5.11c, Rostrum 5.11C e Moonlight Butress, uma via de 400m em Zion em apenas 83 minutos, e que definitivamente gravaram seu nome na história do montanhismo.
Desta vez seu coração de gelo e mente vagando em algum ponto distante da galáxia, o colocaram no topo da Half Dome Regular Northwest Face, graduada em 5.12a de “apenas” 23 enfiadas! No mais puro estilo: magnésio + sapatilha + IPod.

9ª Mostra Internacional de Filmes de Montanha

A mostra em 2009 ocorrerá de 27 a 31 de outubro na capital carioca. As inscrições para a Mostra Competitiva da 9ª Mostra Internacional de Filmes de Montanha receberá ss inscrições até o dia 31 de julho.
Podem participar da mostra competitiva curtas e médias-metragens de filmes de natureza, esportes e cultura de montanha, em qualquer formato.
A escolha dos vencedores é realizada por um júri formado por esportistas, fotógrafos e diretores previamente selecionados pela organização do festival. Além do troféu Corcovado, serão fornecidos prêmios de nossos parceiros.
Evento de especial interesse para o público, produtores, fotógrafos e artistas que pensam o cinema como diversão e arte.
A mostra de filmes de montanha é o mais importante festival do segmento no Brasil. Além de exibir filmes atuais e antigos, nacionais e estrangeiros, traz exposição fotográfica, lançamento de livros, exposição de quadros e uma oficina de cinema voltada a produção cinematográfica.

Foto a direita - Cinquentona Gallotti - Filme vencedor da Mostra Competitiva de 2004, eleito pelo júri popular. Apresenta os 50 anos da conquista da Chaminé Galloti, no Pão de Açúcar, na cidade do Rio de Janeiro. Nele, há o depoimento de quatro dos cinco escaladores que participaram da expedição em 1954.

Mostra Internacional de Filmes de Montanha
Local: Cine Odeon BR / Praça Floriano, 7 / Cinelândia / Centro

O regulamento e a ficha de inscrição podem ser acessados em http://www.filmesdemontanha.com.br.

Faça a sua escalada sempre segura

1. Sempre cheque sua cadeirinha e o encordamento antes de escalar e de seu parceiro, também. Um é responsável pela segurança do outro;
2. Prefira o nó oito, que é fácil de fazer e de conferir;
3. Tenha certeza de ambos saberem operar os freios. Escolha um freio que funcione bem na sua corda;
4. Preste muita atenção nos procedimentos de rapel. Muitos acidentes acontecem nesta simples operação. Num rapel, sempre dê um nó no final da corda , toda vez que a mesma não atingir o solo;
5. Sempre use capacete. Ele pode salvar sua vida mesmo numa queda pequena;
6. Tenha certeza se o tamanho da sua corda é suficiente para a via que você vai escalar. Inclusive se ela é suficiente para que você retorne rapelando caso haja algum imprevisto;
7. Leve sempre equipamento suficiente e algo para eventuais emergências, como cordeletes para rapelar em chapeletas ou que possam ser usados para um auto-resgate;
8. Equipamento fixo é sempre duvidoso. Jamais confie em apenas um grampo, que sabe lá quem instalou ou a quanto tempo está na montanha;
9. Bases têm que ser sempre duplas, quando fixas ou quádruplas, e móveis. Evite rotas com paradas simples;
10. Use equipamentos em bom estado de conservação e dentro do prazo de validade. Cordas, fitas e cadeirinhas ficam velhas por uso ou idade. Ferragens necessitam de cuidados e manutenção;
11. A rocha quebra, teste as agarras. Tome cuidado com blocos que podem se desprender e cair no seu companheiro;
12. Verifique sempre o trajeto por onde sua corda está passando, evitando quinas afiadas que possam cortá-la numa eventual queda;
13. Lanterna, anorake, kit básico de 1°s socorros e rango extra também fazem parte do seu equipamento obrigatório;
14. Lembre-se de que nenhum equipamento sozinho é à prova de falta de atenção. Mantenha-se atento ao que está acontecendo na sua cordada e ao redor;
15. Seja uma pessoa bem informada. Equipamentos, técnicas e procedimentos mudam com o passar dos anos. Mantenha-se atualizado lendo e conversando sobre as técnicas de segurança.

São dicas que todos estão cansados de escutar, mas nunca é demais, apesar da maior parte das falhas numa escalada estar na falta de atenção.

3 de abr. de 2009

Onde escalar - Pedra do Baú

Um dos mais famosos complexos de escalada do Brasil, a Pedra do Baú está localizada em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira. Sem dúvida, o melhor complexo de escalada do estado de São Paulo, com escaladas para todos os estilos e graduações.
Composto pelo Baú, Bauzinho e Ana Chata, na parte mais alta da cidade, com vias de escalada tradicional e artificial a famosas clássicas.
Nas proximidades ainda, para os fãs de escalada esportiva, as famosas Pedra da Divisa e Falésia dos Olhos, além das falésias de São Bento, Quilombo e Quilombinho e ainda a Vista Aérea.
A região oferece uma boa rede de pousadas e hotéis, sendo vizinha da famosa Campos do Jordão. Existem uma série de trilhas e esportes que são praticados na região, como o vôo livre, offroad, mountainbike, trekking, cavalgadas, descidas de rio, entre outras.

Reinhold Messner

O primeiro alpinista a conseguir escalar todas as catorze montanhas com mais de 8000 metros e o segundo a escalar os sete cumes mais altos dos sete continentes, Reinhold Messner (17 de setembro de 1944, Villnöss, Tirol do Sul) é italiano de língua materna alemã e considerado um dos melhores alpinistas de todos os tempos.
Messner é uma figura polêmica do cenário do montanhismo mundial. Suas declarações muitas vezes são polêmicas e as histórias que ele conta beiram o limite do fantástico e do real. Polêmicas à parte, seus feitos o tornam uma lenda viva das grandes montanhas.
Seu currículo é extenso, começando com a conquista de novas rotas e escaladas solo das mais escabrosas paredes dos Alpes, e passa por ser o primeiro homem a escalar solo, sem equipe de apoio alguma, uma montanha com mais de 8000m, o primeiro a escalar o Everest sem oxigênio suplementar e o primeiro a escalar todas montanhas com mais de 8000m.
Em suas narrativas, Messner costuma abordar diversos aspectos relacionados à escalada, sua cabeça, seus medos, a morte, experiências e sensações, momentos de loucura e demência, momentos de muita sorte e de muito azar. Messner também acaba por abordar a questão do dinheiro, das expedições, do patrocínio e da venda da própria imagem.
Este é um convite a todos para saberem um pouco mais sobre as mais altas montanhas do mundo e sobre os montanhistas. É um convite que se estende à reflexão como ser humano e sobre nosso meio de vida. Aos escaladores de rocha, entender um pouco melhor do que no fundo é o berço desse nosso esporte.

"Eu nunca pus uma chapeleta em toda a minha vida e nunca irei pôr uma proteção fixa numa rocha. Se eu não puder escalar sem uma destas proteções, eu não escalo. Nunca usei garrafas de oxigênio. Se eu não puder escalar sem oxigênio extra eu não escalo mais alto. Isso não é uma decisão difícil.
E eu nunca irei carregar um telefone celular comigo. Se eu carregar um aparelho destes, significaria destruir aquele sentimento de estar isolado e exposto que eu sempre procuro nas montanhas.
Estas são apenas as minhas regras. Agora que estou ficando mais velho eu apenas sonho em escalar montanhas menores,ou esquiar em áreas como a Antártica ou em áreas desérticas.
Eu sempre tento fazer esse tipo de coisa sem ajuda de fora. Depois de uma vida de nômade político eu irei passar pelo menos meio ano no meio da selva com apenas uma mochila - e ninguém saberá onde eu estarei indo." - Reinhold Messner

Escalada: Roberta Nunes

No dia 18 de julho de 2006, um acidente de carro em Yosemite, nos Estados Unidos, levou uma das melhores escaladoras do Brasil. Roberta Nunes.Ex-modelo fotográfico e bailarina clássica, a curitibana de belíssimos olhos azuis
se encantou com a escalada ao conhecer o Morro do Anhangava, um dos lugares mais freqüentados pelos escaladores de Curitiba. Maravilhada ao ver as pessoas escalando em uma perfeita sintonia entre o controle mental e a força física. Iniciou sua história no montanhismo brasileiro, em 93.
Com um talento para escalada que poucas pessoas possuem, Roberta começou na escalada esportiva e logo já ganhou destaque, mas ela não parou por aí. Em 1993 mesmo, ela já viajou para vários parques nacionais argentinos e chilenos, daí talvez sua paixão por aventura e expedição. Com o tempo foi só juntar a técnica com as viagens para as grandes escaladas em montanhas remotas começarem a sair.
Em 1996 e 97 Roberta participou do COSMO, o Corpo de Socorro em Montanha, localizado no Marumbi, formado pelos melhores e mais experientes escaladores, lidando com resgates e treinamento.
Assim, em 1998, ela escalou a "Decadance avec Elegance" localizada em Salinas - RJ, (V+, A0-7C, E2 em 850 metros) num tempo de apenas 4 horas, junto a Rosane Nicolau. No mesmo ano ela percorreu os principais pontos de escalada na Argentina e Chile num período de dois meses, foram eles: Los Gigantes, La Ola, Arenales, LosMogotes,Cerro Catedral, Cerro Bonete. E ainda fez um curso de escalada em Gelo com Sebastián de La Cruz no Cerro Tronador na Patagônia Argentina.
Em 1999 ela foi para El Chaltén escalar as torres de granitos mais famosas do mundo, realizou uma tentativa na agulha Mermoz(2.754m) por nova rota cara leste, junto a Ale Garcia,Sebastián Bortolin e Andres Zeggers. Realizou uma cordada feminina na agulha Guillaumet (2.593m) junto com a suíça Barbara Regli. Ficando a poucos metros do cume principal, pela rota Couluir Amy, face leste.
A Patagônia ficou marcada na vida de Roberta Nunes e um ano depois ela retorna a El Chatén com o seu projeto "Patagônia 2000". Lá, ela escala a agulha Inominata (2.500m), pela rota angloamericana, com graduação (V+, 6C, A1), junto com o argentino Fefi. Realiza a primeira ascensão feminina brasileira da agulha Media Luna (1.923m) pela rota de Salvaterra, junto a Sebastian Bortolin com graduação (V+, 6C+, A2+). Ela escalou também o Cerro Solo (2.223m) pela rota normal finalizando com a tentativa da inóspita montanha San Lorenzo (3.720) pela rota Agostini, por terreno gelado, ficando a apenas duas horas do cume.
Em maio do mesmo ano ela percorreu por seis meses os principais pontos de escalada dos Estados Unidos, realizando um trabalho fotográfico e a repetindo centenas de rotas. Ela visitou diversos lugares famosos pela escalada: Zion, Indian Creeck, Turkkey Rock, Vaidawo, Ships Nose, Eldorado Cannyon, Vail, Butter Milks, Yosemite Valey, Tuolome Meadows, Rocky Mountains, The Book, Lampy Redge, Boulder Cannyon, Salt Lake, etc. Obteve destaque quando repetiu a rota Regular Route de dificuldade (5.10C, A2 ou 5.12B) na montanha Half Dome do Yosemite National Park,Califórnia, num tempo de apenas sete horas os 850 metros de verticalidade junto ao renomado escalador venezuelano Jose Pereyra. Também nesta viagem escalou difíceis cascatas em gelo em Vail e Aspen.
Em 2001 ela retorna a Bariloche, Argentina, para realizar um trabalho fotográfico junto a outro escalador Marcos Piffer para a importante marca italiana VIBRAM. Em abril, realiza a repetição de uma difícil big wall na Serra dos Orgãos no Rio de Janeiro, no pico do Garrafão pela rota Crazy Muzungus (VI, A2+, em 700m negativos) junto a Marius Bagnati, envolvendo três dias de empreitada.
Em agosto retorna aos Estados Unidos para escalar e preparar-se para seu novo projeto. Em um período de dois meses no Yosemite National Park, Califórnia repete inúmeras rotas em diferentes picos, destacando o El Captán, Sentinel Rock, Royal Arches, Rostrum, North Dome, Catedral Peak, Leanning Tower, atingindo uma dificuldade máxima de 5.12a na graduação americana, se tornando neste mesmo ano, a primeira mulher a atravessar uma hight line (corda-bamba) de 10 metros de comprimento a 300 m do chão no pico Rostrum. Roberta gostava bastante de praticar slack line e tinha uma técnica e facilidade digna de um artista circense.
Em Janeiro de 2002 Roberta retorna à Patagônia para realizar um de seus maiores sonhos, escalar o Fitz Roy (3.341 metros) sendo a primeira mulher brasileira a tentar esta séria e comprometida escalada. Junto ao escalador venezuelano, José Pereyra, repete a rota Afanassief na cara nordeste, sendo a primeira repetição em vinte anos, com uma dificuldade (V+, 7B, A2+ em 1.300 metros de desnível vertical) envolvendo aproximação por gelo e misto atingindo o topo da torre Nordeste ficando a 300 metros do cume, completando 1.350 metros escalados em trinta horas sem parada (ida e volta) até ao campo base.
Repetiu cinco dias depois na mesma montanha, Fitz Roy, a clássica rota Franco Argentina (VI, 7B, A2+), onde ela e Jose tiveram a oportunidade de abrir uma variante de 500 metros por rocha e pouco gelo, seguindo depois os 700 metros de rota tradicional ficando apenas a vinte minutos de caminhada do cume principal, devido a uma grande tempestade de neve. Eles repetiram também a agulha Saint Exupery (2.548 metros) pela difícil rota Chiaro Di Luna (V+, 7C) em 850 metros de verticalidade num tempo de apenas nove horas.
Em 2003, Roberta recebeu uma proposta para experimentar as montanhas de altitude. Ela viajou para Mendoza na Argentina, onde fez uma aclimatação com a escalada da face frontal do Vallecitos (5.500m), uma escalada que foi muito comentada por lá. Depois, ela escalou o Aconcágua (6.962m) pela rota normal até ao cume, no dia 7 de janeiro sem problemas de aclimatação.
Em junho deste ano, ela foi para Espanha encontrar-se a convite da arogonesa Cecilia Buil para realizar o projeto de abrir uma nova via de escalada no maior acantilado do mundo, o Thumbnail, na Groenlândia. Foram quarenta dias de treinamento em escalada e kaiaque na região dos pirineos, pois aproximação para a parede seria feita por kaiaques marinhos, 80 km.
Ao todo foram três meses para execução total do projeto. Roberta e Cecília abriram a rota Hidrofilia (VI, 1620m,7A,A2+, graduação francesa), no Maujit Gorgassasia, sendo a primeira ascenção humana deste cume e a maior rota aberta por mulheres na história do alpinismo mundial. O estilo utilizado foi o tradicional sem proteções fixas. A travessia foi outro fator extremo nesta aventura, percorreram os 80 km em três dias, atravessando a encostas e partes em mar aberto, talvez a maior aventura da vida de Roberta.
Em Janeiro de 2004, ela escala na região da cordilheira Chilena de Cochamó, junto a Karina Filgueiras, Dálio Zippin Neto e Maurício "Tonto" Clauzet, uma região quase selvagem com paredes que oscilam de 500 a 1000 metros de altura. Permaneceram vinte dias na região escalando na Pedra do Gorila e Trinidad Médio. Junto com Karina, realizou a primeira cordada feminina da região.
Em 2005 ela retornou pela quarta vez à Yosemite, desta vez para realizar uma rota de Grade VI (que necessitam de 3 a 5 dias para completá-la). Roberta, junto com Sean, entraram na Lurking Fear no El Capitán onde pegaram uma tempestade a 600 metros do chão. Mesmo com os contratempos, ela escalou a montanha em 15 horas e se tornou a primeira mulher sul-americana a escalar aquela parede de granito em menos de 24 horas.
Com esta grande experiência, Roberta resolveu voltar à Patagônia no ano seguinte para realizar uma primeira ascensão totalmente brasileira no Fitz Roy. Primeiro ela esteve no Frey em Bariloche, onde fez uma aclimatação escalando a Torre Principal pela via variante da Clemenzo, um 6b francês. Esta escalada virou um filme de Mauricio "Tonto" Clauzet que recentemente foi indicado no Festival de Filmes de Montanha de Squamish no Canadá.
Em Chaltén o planejamento não ocorreu como o previsto. O mal tempo deixou a montanha em más condições e o ataque ao Fitz Roy não foi bem sucedido. Com mais um ataque frustrado, Roberta e Sean resolvem escalar de uma só vez os picos Guillaumet (2.593m) e Mermoz (2.754m), que ficam no campo base de Piedra del Fraile. O desafio era atrativo, pois até então somente um casal norte-americano tinha conseguido o feito.
Assim, às 5 horas da manhã do dia 26, a dupla inicia a subida do Guillaumet para alcançar seu topo 3 horas depois. Entre a descida e o trajeto por três picos menores, foram mais cinco horas até a base do Mermoz, que foi vencido numa escalada de 2 horas somente. O retorno ao campo avançado de Piedras Negras se dá à noite e sob nevasca intensa. Com experiência de temporadas anteriores, eles enfrentam o frio, a escuridão e os perigos da montanha, e só vêem as covas às 10 horas da manhã seguinte. Roberta perdeu quatro quilos e foram necessários dois litros de isotônico para hidratá-la e repor os sais minerais. Já no campo base, os dois passam três dias descansando nas barracas.
De volta à El Chaltén, é hora de contabilizar os feitos da Expedição Patagônia. Roberta acabara de vencer o Guillaumet e o Mermoz numa escalada dupla. Resultados que foram comemorados com outros 40 alpinistas do mundo todo durante uma festa no acampamento. Depois de alguns dias para recolher os equipamentos nos campos base, a equipe inicia o retorno ao Brasil no dia 05 de março.
Esta foi a última viagem à Patagônia de Roberta Nunes, o lugar que ela mais gostava. Certa vez ela disse: "A Patagônia é mágica: para arriscar a vida tem que ser algo que te tira do lugar comum. É a oportunidade de viver uma fábula".
A morte da Roberta Nunes foi um grande golpe ao montanhismo brasileiro. Todos foram pegos de surpresa, foi uma perda irreparável!

4 de fev. de 2009

Currículo para Curso de Iniciação ao Montanhismo

Curso de Iniciação ao Montanhismo

Objetivo: Apresentar ao iniciante o Montanhismo e suas modalidades, bem como os riscos envolvidos, ética ambiental e social, os equipamentos e sua utilização, técnicas de caminhada, e prevenção de acidentes.

Tópicos Importantes:

- O Ambiente de Montanha: meio fisico, biológico e humano, noções de Geologia, Ecologia, e biodiversidade, conceitos de paisagem

- Conservacionismo, educação ambiental, principios de mínimo impacto.

- Riscos envolvidos, objetivos e subjetivos.

- Histórico, local, nacional e no exterior.

- Modalidades e niveis de formação, esportivo e profissional.

- Meteorologia, ventos, nuvens, raios, umidade, variações de pressão, temperatura, radiação, instrumentos de medição.

- Equipamentos, tecidos, vestimentas, calçados, mochilas, sacos de dormir, isolantes, barracas, bivaques, lanterna frontal, bastões, cantis, kit reparos.

- Cozinha em montanha, fogareiros, nutrição.

- Técnicas de progressão, caminhando, preparação, ritmo, descanso, progressão em grupo, não deixar rastros.

- Orientação e Navegação, cartografia, mapas, instrumentos, planejamento, sinalização de trilhas.

- Camping em Montanha, áreas livres e proibidas, mínimo impacto.

- Higiene, saúde, acondicionamento de resíduos, disposição de dejetos.

- Instalação da barraca, o acampamento, bivaques, em grupos, minimizar vestígios.

- Expedições, atividades em grupos e relacionamento pessoal.

- Segurança em montanha, radiocomunicações, noções de socorros urgentes.

- Prevenção e resgate em montanha, planejamento, treinamento, perdido, socorro em montanha, questões juridicas,

Horas aula teóricas:

Práticas: Pelo menos um dia na montanha, sendo aconselhado para uma inciação completa pelo menos um pernoite na montanha. Caso no curso nao tenha o pernoite, este habilitaria participar de uma ativiade guiada da associação de mais de um dia.

Avaliação: teórica e prática.

Certificação: Habilita a praticar o montanhismo seguro, individualmente ou em grupo, não habilita a guiar pessoas ou ministrar instruções.

No certificado deverá constar o conteúdo programático, carga horária mínima, frequência, nota, período de realização, assinatura dos instrutores e representantes legais da associação, emblema da associação promovedora e da Federação credenciadora.

12 de dez. de 2008

Escalando com inteligência

A escalada é um esporte muito seguro, e pode ser considerado um esporte high-tech de tanta tecnologia investida para garantir o mínimo de acidentes, porém é necessário que o praticante faça a sua parte, estando a par de seus riscos e como evita-los. Não se aventure em uma escalada caso você não tenha qualificação para subir uma parede sozinho. Procure ajuda ou um curso que o qualifique para tal. Procure um clube de montanha próximo a sua região, para maiores informações

  • Confira seus nós e a fivela do bauldrier.
  • Inspecione seu equipamento e o troque quando necessário.
  • Conheça seus parceiros de escaladas e seus hábitos.
  • Confira se há alguém fazendo a sua segurança.
  • Leia todos os avisos de atenção - eles podem salvar sua vida.
  • Equipamento fixo é sempre duvidoso - faça sempre um backup.
  • Olho atento às condições do tempo.
  • A rocha quebra - teste suas agarras.
  • Sempre cheque duplamente o seu sistema de rapel.

    Sua segurança é sua responsabilidade.
  • Uso das mão na escalada

    A primeira impressão, na escalada, ter força nas mãos parece ser fundamental para uma boa escalada, e que para isso o escalador deve ser muito forte.
    Como acontece em todos os esportes, a escalada tem um desenvolvimento gradual. A medida que se aumenta a intimidade com a rocha e o ambiente vertical, tem-se mais técnica e habilidades necessárias para o esporte.
    Imagine se o tempo todo o escalador usasse de força para vencer uma via.
    Mas as mãos são parte muito importante durante uma escalada e existem técnicas corretas para seu uso em diferentes tipos de rochas e agarras.
    Na escalada esportiva, muitos escaladores conseguem fazer a via "on sight"ou a "vista", utilizando de grande esforço, mas a medida que a repetem vão amenizando esta pela técnica, se tornando muito mais fácil do que na primeira tentativa. Afinal de contas, escaladaesportiva exige muita condição física.
    Para uma boa escalada, é necessário prestar atenção nos seguintes detalhes: o uso das mãos, o uso dos pés, posicionamentos estáticos e movimentos dinâmicos.

  • Pegada Fechada: Este tipo de pegada é uma das mais comuns em escalada, onde as ponta dos dedos ficam quase encostadas na palma da mão. Seu uso é muito comum em agarras pequenas e “regletes”.

  • Pegada aberta: Essa pegada também é muito comum na escalada. É parecida com a fechada, mas os dedos formam um arco maior. É usada na pegada de agarras grandes, lacas e abaulados que tem espaço para as pontas dos dedos.

  • É uma das pegadas mais odiadas pelo escaladores. Use as pontas dos dedos ou a mão inteira para “pinçar” a agarra. Se aplicam normalmente nas agarras que se projetam da pedra, ou em alguns tipos de fendas.

  • Também é uma das pegadas “malditas”. A mão toda forma um arco (principalmente os dedos). Se usa principalmente em abaulados. A aderência da mão na rocha é fundamental.

  • Como o nome indica, se usa com a palma da mão voltada para cima, pode ser com as pontas dos dedos ou com a mão inteira (como uma pegada aberta). As agarras são normalmente lacas de cabeça para baixo.

  • Pegadas feitas com um (monodedo), dois (bidedo) ou três dedos (tridedo), usando as falanges. São usadas normalmente em buracos pequenos (os famosos “heucos” ou “pockets” americanos)

  • Entalamento das mãos: O entalamento das mãos se dá com os dedos, com a mão inteira aberta ou com a mão fechada (de punho). Se usa tanto em fenda verticais, como em fendas horizontais. A mão colocada dentro da fenda deve ser “torcida” para gerar forças opostas e garantir a pegada. É comum a proteção das mãos com esparadrapo, para evitar ferimentos.
  • 11 de dez. de 2008

    Saiba um pouco mais sobre o ambiente vertical

    Escalada livre sugere escalada sem a utilização de pontos de apoios artificiais, ou seja, não se usa diretamente os grampos, proteções, e apoios que não sejam a rocha e o corpo para ascensão ou mesmo para o descanso. Nele os grampos e proteções servem apenas para sua proteção no caso de queda. O lado democrático deste esporte é que serve a qualquer tipo de pessoa, até para os que possuem medo de altura, desde que esta goste de um pouco de desafio, pois a escalada o desafia todo momento. A escalada livre engloba desde o boulder (foto abaixo), ideal para quem não quer subir muito e adora desempenho, pois é uma escalada de difícil domínio e técnica, com grande utilização de força e equilíbrio, cuja proteção são apenas 'crash pads', para aliviar a queda. Nos EUA é comum boulders com boa altura, quase beirando a escalada solo (sem proteções).
    Todos movimentos se baseiam no firme apoio dos 3 pontos, para movimentação do quarto. O mesmo vale para a puxada de corda para proteção. Só se costura com o pleno dominio do movimento, pois uma queda com corda na mão pode leva-lo ao chão. A medida que o atleta vai se sentindo a vontade, ele começa a procurar vias (rotas de escalada), mais adequadas ao seu preparo, melhorando sua graduação. A graduação mede a dificuldade técnica da via, começando do terceiro grau e no Brasil, vai até o 12b, correspondente ao 5.15a. A graduação dos Boulders é identificado pela letra V; o V0, ou seja, o boulder mais fácil corresponde a um 6sup, na escalada esportiva.
    Os Boulder e a esportiva são as modalidade de escalada livre competitivas, onde são disputados, dificuldade técnica, velocidade e leitura de via.
    O esporte, que nasceu nos alpes, de onde surgiu o termo alpinismo, é muito comum na Europa, onde existem diversos ginásios e academias, além de um fácil acesso ao ambiente natural, repleto de montanhas e falésias.
    No Brasil é um esporte bem recente, tendo seu boom na década de 80, época em que foi criada a escalada indoor.
    O montanhismo é um esporte altamente seguro, porém complexo e sua segurança está ligada diretamente ao seu conhecimento e ao grau de habilidade durante uma escalada.
    Existem diversos perigos para os quais o escalador deve estar atento e prevenido, nos ambientes naturais.
    Nossa região é um grande polo de escalada esportiva e boulder, tendo a pouco mais de 80km, um local com centenas de vias nas mais diversas graduações em livre, com proteções fixas, mistas ou móveis. Além de setor com algumas progressões artificiais
    bem cotadas.
    Em breve estarei publicando o croqui das vias existentes na Serra.